Encontro fantástico

Eu – serei breve

Por acaso me encontro

Com o fantástico ao meu lado

Ela não sabe – penso

Me circula do que mais preciso

E absorvo cuidadosamente

A alegria dela

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Onde olho?

Deitado no piso de madeira, olho para o concreto do teto. O retangulo de alumínio e vidro, da parede ao lado, deixa a luz do Sol bater no meu peito. “É quente a vida”. Tentação! E, a brisa que circula entre as paredes de branco gelo diluem a dureza da manhã. Que frescor?! Me tenta até não poder mais.

Onde olho? Vejo meu coração, seja no concreto frio e seco, químico e fisicamente estático que me protege da vida de lá, do lado de fora. Seja no branco do meus olhos, tão iguais aos seus e aos deles tão diferentes. Eles não entedem. Nem mais você. E isso faz sentido: não busco ser entendido, busco ser atendido. Muitas vezes confundo e troco o segundo pelo primeiro. Mas, não escapo! A realidade me joga no chão da sala e diz que é segunda-feira. Preciso correr para que me sirvam mais paredes de concreto e alumínio.

Meu sono sobre o papel 

Tenho um pequeno hábito diário: escrevo antes de dormir. Não são, de modo geral, escritas complexas. São, mais que tudo, “receitas do dia” (coisas que vi ou aprendi) ou por fazeres para depois do raiar do Sol. Escrevo, então, onde der: na telha, no caderno, no boleto a pagar, no celular, na parede ou no computador. Posso dizer que sou multisuporte, mas monomedia. Poderia fazer um vlog, ser YouTuber (está na moda), mas é o texto que mais me atrai. Consome o lápis sobre o papel, às vezes, a nankim do tinteiro, e meu sono por inteiro. 

O passante de mim mesmo

Andar por Salvador é uma aventura estranha (no bom sentido) e nova a cada novo dia. Não me engano sobre a beleza da cidade. São as pessoas que deixam cada sagrado canto soteropolitano excêntrico e jamais intediante. Essa cidade não seria a mesma sem os tipos que florecem aqui. Às vezes penso que, na verdade, são uma entidade só. Um grande orixá que se esmeira por cada canto dentro dos limites dessa cidade. Mas, erro: em cada metro quadrado há uma pessoa diferente, mas, afirmo, sempre com a cara da cidade. Salvador tem milhões de caras e ninguém pode conduzir um pensamento em contrário. Eu então…

Contudo, andar por Salvador também me molda. Sou uma pessoa notável dessa cidade – até para mim mesmo – como qualquer outra. Não nasci nas águas de Yemanjá, sou sertanejo, mas aqui me reagreguei com todos os santos. Reparo que quando passo e conheço novas pessoas aqui, também passo por mim mesmo. Me vejo nos rostos dessa cidade. Me vejo não como parte de Salvador, mas como fruto imaturo (ainda) dessa árvore paubrasilis que cresce neste recôncavo de maré quente.