Tenho saudades de você

Sim, tenho saudades de você! Meu bem, eu te amo, mas se você continuar assim, me negando, vou explodir. Quero que me abrace na frente dos seus amigos e diga para sua mãe que vou almoçar lá, no domingo.

Seu Pai vai adorar meu hobby e vou chamar seu irmão para o futebol! Garanto que vão me adorar! Você não me adora?

Outro dia e vi você chorar por isso. Então pára! Está na hora de acertarmos isso. Você não gosta de mim? Temos que passar para outro ‘estágio’ e você não quer me fazer feliz. Eu sei que sou tudo o que você quer de um homem, querida. Mas não adianta negar os meus carinhos agora. Eles já te alimentaram durante noites. E só querem os seus beijos quentes. Sei bem que tudo é possível, mas você vai ter que parar com essas besteiras de “mulher preocupada com o futuro de sua “liberdade””.

Vamos casar e pronto! Está decidido por nós dois.

Até o Padre da Matriz aprova! Você não quer? Eu te amo tanto e vou te fazer tão bem. Vou fazer o melhor de mi!

Você vai ver!

Garota, olhe bem pra ‘dentro de mim’ e me diga que não me ama. Você já me disse que fui a sua salvação. Então, se cale e, p#@$ m#$%@, me beija logo, menina veneno!

Conselho de amigo

Recebi um conselho de um amigo. O Amanhecer ou o Pôr-do-Sol?

“Eu era como você: romântico, quando ficava afim de uma mulher era foda… Mas as coisas não são assim, cara. O mundo é uma merda. A lógica das pessoas são outras, não ficamos na maioria das vezes com quem queríamos, e aliás, na maioria das vezes não fazemos o que queremos… Então, seja menos romântico e mais realista: divirta-se. Não desperdice oportunidades… Velho, tem várias meninas que te dão mole e você deixa passar…
Por que?
Por alguém que nem sequer lembra que você existe.
Ou se lembra, são em alguns (raros) momentos.
E você nem eu, nem ninguém merecemos ser lembrados em alguns momentos só.”

Quase tudo que aprendi – Parte I

Ao sair no meio da chuva, deixei em minha casa esposa e um filho de cinco anos. Descobri que não voltaria para o calor dos braços dos meus tão cedo.

Em meus olhos precipitou-se uma lágrima. Tirei do bolso, do velho paletó, um lenço rasgado e amarelo. Não o usei apenas para aparar a gotícula de água, mas, também, para enxugar minha testa franzida de trinta e dois anos. Joguei o lenço na sarjeta. Corri para não perder tempo.
O guarda-chuva estava rasgado; caíram pingos d’água

Quase tudo que aprendi foi usar um terno!

em minhas costas; parecia que um cachorro havia mijado  em mim.

Quase tudo que aprendi foi usar um terno!

Não tinha como distinguirem-me na noite. Estava invisível na chuva.
Me sentia seguro.
Por isso, corri pisando nas poças d’água e chutando as latas de lixo da rua.

A estreita viela terminava em uma avenida, onde os carros corriam mais que eu!
Respirei fundo.
– Vamos até o fundo. – Falei comigo mesmo.
Como sempre, parei de correr.

Caminhei um pouco e parei debaixo de uma marquise; fechei o guarda-chuva rasgado; ajustei o palito no escuro.
Discretamente, tirei um velho relógio do bolso, conferi a hora.

– Cheguei na hora certa! – Não senti alegria com isso. Em outras situações talvez.

Uma mulher passou por mim cinco minutos depois de ter-me aninhado debaixo da marquise. Vestia um vestido cinza e usava um gorro amarelo-pastel; fumava e jogava longe a fumaça que gozará em seus pulmões; tinha boas feições, a moça, e não usava guarda-chuva. São Pedro tinha dado uma trégua.

Podia-se ver a lua quando estava entrando no carro.

– Olha lá, a Lua João! Você gosta da Lua?

Meu nome, João, quase tinha esquecido. Aquele sujeito com cara de idiota fez-me lembrar de meu nome!

– Olá “J”? – interrogou o motorista – vamos ter uma noite tranqüila hoje ?

Respondi que sim com a cabeça. Queria dizer que não! Não disse, deixei para fazer uma surpresa.

As instruções que deixei com minha esposa eram simples. Ela entendeu quando disse que precisávamos fazer aquilo. Colocou as balas na minha arma pela manhã e arrumou as malas pela tarde!

Saquei a arma e atirei no sujeito do meu lado. Em um piscar de olhos, também, já tinha matado o cara da frente.

– Ele nunca falava nada mesmo – resmunguei ao tirá-lo do volante; joguei os corpos no fundo do carro e depois limpei o volante. Segui viagem pela avenida deserta.