De vez em quando ouço jazz

De vez em quando sinto o jazz tocar em mim

Acho que sempre foi assim: fecho os olhos sem pensar

Sinto como se estivesse de volta à minha casa, à minha velha infância

Agora, rezo para o LP não parar de rodar

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Digam para o DJ não parar de tocar

Passando por mim antes de me reconhecer
Perdendo o telefone antes de querer
Quem me chamou meia noite?
Antes de tudo também quero beber!

Essa vida adolescente aos 20 e poucos
É tão sem graça que quero descer
Abraçando estranhos e querendo fogo
Fechando o bar só para não contradizer
Diga para o DJ não parar de tocar
Diga que sabe fazer pole dance em slow motion
É fã de Legião e diz segredos pra mim
É o pecado perfeito para uma noite sem fim

Quem são meus amigos aqui?
Danço com ela até alguém me reconhecer
O Sol já está dentro do meu peito
Hoje ainda é sexta e nada está feito

Quem me salva não me entende
Ela continua lá
Não sei onde vou parar
O Sol já não está mais comigo
O horizonte agora não é meu amigo

Aqui, amanhã

Eu gosto de colocar os pés no chão
E sentir o calor da Terra
Eu gosto de planejar o dia
Enquanto ainda não amanheceu

Eu quero conhecer o mundo todo
E não quero sair de casa
Quero partir para sempre voltar
Isso é querer demais?

Seja quem quer que seja
Seja sempre o que disse ser
Mas não brigue comigo amanhã!
Que tudo fique em paz, meu bem

Eu vou brigar com um campeão um dia
Vou subir em uma nave e decolar
Quem sabe também não vou até você?
Isso ainda vamos ver

Serei bem mais do que já fui
Vou ver alguém um dia desse ai
Vou ser alguém que não você!
Pra mim já basta de querer ser

Seja quem te quer também
Seja sempre o que deseja ver
Mas não me ame só amanhã!
Ai, não estarei mais aqui, meu bem

Foi o mundo que cresceu?

Mas, eis que me vejo em um mundo pequeno. Ele cresceu diante dos meus olhos! “Aquele abraço” me faz falta. Sua companhia é meu refrão.

Qualquer frase é música que quero cantar. Minha voz anda cada vez mais perto. Carrego minha viola na mão, desenhada em um papelão.

Pião de obra ouve meu rádio. Vento de madame sopra pro meu lado. Eu sou o moinho dentro de mim. Não é que queira, mas abrigo me falta.

Não é que tenha escolhido, mas abrigo essa vida. Corro pela esquina pensando em quem está do outro lado. Que canção é essa? Tá faltando uma nota alta!

Me vejo uma criança exemplar. Foi o mundo que cresceu? Ou fui eu?

Me vejo te olhar. Valei-me tanto desejo! “Por que você me escolheu?”

 

Nenhum Medo

Medo te destrói por dentro. Às vezes não passa com a maré. E o que as pessoas veem é apenas a ponta do iceberg. Às vezes você também só vê a ponta e, antes que perceba, está dentro do Titanic.

Medo te prende ao passado. Te cega no presente. E tira seu futuro.

Medo te faz passar ao lado dela, aquela que você sonha, te deixa sem coragem de falar, mesmo ela piscando para você todos os dias. Medo te impede de beijar a vida quando ele pede para você fazer isso.

Medo estraga a porra dos seus sonhos. Medo não traz pesadelos, medo suja a realidade. Ele te faz se sentir com outros 500 anos aos 30, ou antes. Medo não te leva à Bahia.

Medo te leva à páginas de Bolsonaro no Facebook e uma conversa sem vírgulas no Whatsapp. Medo não paga as contas, mas infla o pato!

Medo faz sua – a minha – geração assistir de camarote enquanto o bloco passa lá embaixo.  O bloco toca Gilberto Gil e Novos Baianos e a pipoca só pula. Camarote não toca axé!

Medo nenhum paga a alegria de vestir branco em dia santo. De cantar para o Mar, mesmo às quartas-feiras. De comer um acarajé sem se preocupar com o amanhã.

Medo. Tenho. Às vezes uso. Às vezes expurgo.

Antes

Antes de entrar na floresta
Você precisa de um mapa
Antes de atravessar o rio
Você precisa de uma canoa

Antes de você enfrentar a tempestade
Você precisa construir um abrigo
Antes de você correr sob o Sol
Você precisa de bons sapatos

Antes de escrever sua enciclopédia
Você precisa de um bom dicionário

Antes, às vezes, você precisa de alguém
Do seu lado.