Meu amor de Budapeste

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Nunca conheci Budapeste. Jamais sai do meu país; sempre estive onde falam minha língua.
Corro frente ao mar todos os dias; tiro minhas meias e beijo Ana.
- Onde está a pedra mais alta? – pergunto baixinho para olhos dela.
Como sou apenas um rapaz abaixo dos trinta anos, não tenho tempo para sonhar com Budapeste! Quero mesmo é ir ao Rio Vermelho e ver Ana sorrir para mim.
Ana, morena como só ela; por ela detenho minhas revoluções; e por ela escrevo minhas poesias frente ao mar.
Gosto de uma música: “Ana e o Mar”. Ouço dia e noite e conto para Ana que ouço. Digo sempre que farei uma música melhor. Ela ri. Eu caio n’água!

E quando vou para casa ela olha a foto de Budapeste da parede do meu quarto. Diz ao meu ouvido:
- Sabe, um dia vou para Budapeste. Vou me jogar da maior ponte que tiver lá!
Eu sempre caio em gargalhadas:
- Hahaha… Qual é, Ana?! Se jogar de uma…
- Você não acredita, né? Você vai ver… – ela pará quando beijo-a intensamente.
- Amo você, Ana! Não caia em um rio, ainda mais no Danúbio, a água é muito fria lá!
- Ah, você vai ver… – gosto quando ela fala sobre as pontes de Budapeste, ela sempre se emburra toda quando tento frustrar seus planos.
- Prefiro você caindo no mar comigo, Ana!

“Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar

Ana e o mar… mar e Ana
Historias que nos contam na cama
Antes da gente dormir”

Trecho de “Ana e o Mar”, Teatro Mágico

Ana e eu. Somo jovens, somos um como o outro.
Sonhadores.
Tudo o que ela quer eu desejo.
Eu sou feliz. Ela nuca me diz nada. Nunca diz nada quando estamos acordados de madrugada. Ela diz apenas que vale apenas ver o Sol nascer.
E como não sou de contrariá-la, deixo-a abrir a janela e ficar com o rosto para fora, vendo o sol nascer na linha do horizonte azul: o mar.
Ana e o Mar.

Será que tive sorte? Será que será sempre assim, Ana e o Mar?
Tudo é tão cedo!

E se tudo for verdade? E se tudo puder acabar? E seu eu não tiver Ana e o Mar?
Budapeste!
- Fujo pra Budapeste se tudo der errado! – digo baixinho pra mim mesmo, ainda na cama, enquanto Ana, nua na varanda, olha o Mar e o Sol se amarem.

Ela vira-se pra mim e diz:
- Vamos tomar banho de mar agora!
- Agora? Mas…
- Vamos…
- A Água está muito fria…
- Não importa, vamos aproveitar que todos aina estão dormindo…
Entendi o que ela queria e disse sim com minha cabeça. Queria dizer não.

“Quando Ana entra n’água
O sorriso do mar-drugada
se estende pro resto do mundo
abençoando ondas cada vez mais altas
barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
desse novo amor… Ana e o mar”

Trecho de “Ana e o Mar”, Teatro Mágico

- Ana, você é louca.
Ela simplesmente sorri e tira a camisa. Entra na água só de calcinha.
- Vem… – grita – Vem logo seu bobo! Deixa de ser covarde!

Quem nos visse naquela hora diria: que bando de malucos! Mas não, não havia ninguém nos vendo. Desejei que houvesse. Gritei o mais alto que pude enquanto corria na direção dela:

- Anaaa…!

Ana, eu e o Mar!

- Essa água tá muito fria, maluca!

- O que é bebezinho?

- Ói, me respeita, hein? – Joguei água no rosto de Ana. E ela não deixou por menos:

- Ah é assim, é…? – ela estava feliz e não se preocupava em deixar transparecer isso. Era uma sinceridade além do que eu conhecia. O Mar lhe fazia bem. Budapeste parecia muito longe agora.

Ana, o Mar, eu e a felicidade.

Poderia morrer ali.


Ana e o mar… mar e ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Trecho de “Ana e o Mar”, Teatro Mágico

Uma ponte de Budapeste

Uma ponte de Budapeste

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